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AUTO REALIZAÇÃO


O CRESCIMENTO PESSOAL

A expressão’ Crescimento Pessoal’ foi cunhada há mais de meio século e expressa o interesse por aprender mais sobre si mesmo, desenvolvendo o potencial de cada ser humano para viver com plenitude.


foto: Fernando Tangi

Nos últimos tempos existe uma necessidade cada vez maior de dedicar um espaço ao cuidado do mais íntimo e pessoal de cada um. O espetacular aumento dos livros de autoajuda, a proliferação de psicoterapias ou o interesse que despertam outras religiões ou técnicas espirituais são prova disso.
         Mas por que razão surge cada vez com mais força esta necessidade? Um motivo pode ser que, ante o vazio de crenças e valores por que passa o mundo ocidental, as pessoas buscam algo que outorgue um sentido à sua existência. Por outro lado, a curiosidade que desperta o saber como somos ou porque vemos e reagimos as situações de maneira característica é outro estímulo para tratar de conhecer-se com mais profundidade.
         Mas o mobilizador maior do interesse por si mesmo costuma ser a infelicidade e a insatisfação. Ainda que hoje disponhamos de facilidades no mundo material – a maioria das pessoas tem acesso a um teto, alimento e companhia – aparecem com maior crueza as carências a nível anímico. Problemas como a depressão, a ansiedade ou o estresse estão mais presentes do que nunca. Talvez ainda falte aprender a desenvolver nossas capacidades emocionais para que não nos transbordem essas situações.

A ORIGEM

         Até a década de 50 a psicologia estava direcionada para solucionar transtorno mais ou menos graves, mas a partir deste momento passam a ser valorizados os recursos psicológicos para se conseguir maior bem estar.
         Durante esse tempo algumas pessoas de aparente sucesso começaram a buscar ajuda psicológica. Ainda que não sofressem grandes transtornos e possuíam o que se considerava favorável para estar satisfeitos, manifestavam sentir um vazio interno.
         Escolas psicológicas como a Humanista e a Existencial e, mais tarde, a Transpessoal, foram as que mais reconheceram a importância das dimensões existencial e espiritual. Seu enfoque era que, enquanto as pessoas estão ocupadas em satisfazer suas necessidades básicas, não têm tempo para questionar nada mais. Mas precisamente quando conseguem seu objetivo aparece com mais intensidade a necessidade de desenvolver-se a nível pessoal. Se esta demanda interna não se cumpre, a pessoa pode sentir-se insatisfeita ou incômoda sem saber por quê.

O HOMEM AUTO REALIZADO

         A autorrealização é a culminação de um caminho de auto conhecimento que deriva das múltiplas experiências que aporta a vida. É o nível ideal de realização que se pode alcançar, mas, sem dúvida, poucos o conseguem. O que Abraham Maslow  denominou autorrealização, outros autores o descreveram e denominara de forma diferente. C.G. Jung, o famosos psiquiatra suíço, falava de ‘processo de individuação’, o filósofo Eric Fromm o expressava como ‘indivíduo autônomo’, Wilhelm Reich falava de um ‘caráter genital’, o psicólogo Carl Rogers, como a pessoa que consegue ‘pleno funcionamento’. Todos tentaram descrever, portanto, a meta última do desenvolvimento pessoal, para que servisse de guia e inspiração.
         A seguir, as características que Abraham Maslow descreveu que possuíam as pessoas realizadas:

  • Percepção mais eficiente da realidade:

Refere-se à capacidade de julgar as coisas mais corretamente e de captar com maior
rapidez realidades que possam resultar confusas ou encobertas. Uma situação, pessoa ou coisa pode observar-se, então, com maior neutralidade, sem deformações nem juízos prévios. A pessoa se dá conta de quando está projetando no exterior algo pessoal e pode discernir mais objetivamente suas percepções.

  • Aceitação de si mesmo e dos demais:

A forma mais básica de aceitação é a satisfação consigo mesmo. Então a pessoa
aprende a reconhecer e a aceitar os demais. Isso inclui também leva à menor timidez e sentimento de culpa ou dúvida. A pessoa realizada se sente segura porque não quer ser outra pessoa, não busca ser diferente nem parecer-se com os outros, ainda que reconheça seus defeitos e se esforce por melhorá-los.
(Uma frase do Jung: ‘Você cresce não à medida que se pareça com um modelo, mas quando vai se parecendo cada vez mais com você mesmo’)

  • Espontaneidade, simplicidade e naturalidade:

Estas características denotam que a pessoa sabe mostrar-se aos demais como é, sem
fingir nem tentar demonstrar nada. São qualidades que de alguma forma têm que ser resgatadas da infância, quando se atua de forma natural e espontânea.

  • A necessidade de intimidade:

Muitas pessoas não suportam estar sozinhas por qualquer tempo, pois é aí que mais aparecem os aspectos pessoais que não são fáceis de aceitar. Uma pessoa madura e realizada necessita, ao contrário, de um espaço e de tempo para si mesma, onde possa encontrar-se a sós e dialogar consigo mesma.

  • Autonomia:

Esta qualidade requer respeito por si mesmo e pelas outras pessoas. Denota, por
outro lado, a capacidade de ser autossuficiente e independente. A pessoa não necessita dos demais para preencher suas necessidades de afeto e segurança, posto que isso vem dela mesma. Quando se relaciona não exige, mas sim pode dar aos demais sem esperar nada em troca.

  • Apreciação contínua:

Maslow se refere a isso como a capacidade de maravilhar-se e apreciar os aspectos positivos da vida. O mesmo acontecimento que para outras pessoas pode parecer comum, pode ser vivido como algo cheio de significado, beleza e inspiração. Frequentemente deixamos de apreciar o que temos porque continuamos nos esforçando para conseguir o que acreditamos que nos falta. Mas a verdadeira satisfação só é possível quando se valora o que aporta e existência em cada momento.

  • Experiência mística ou experiência cume:

Abraham Maslow descobriu que as pessoas que definiu como realizadas tinham em comum o fato de terem vivido experiências de transcendência do próprio eu. Essas experiências permitem uma amplificação da própria consciência, que pode aportar importantes compreensões ou vivências, que para as pessoas costuma resultar cruciais no curso de sua vida.

  • Sentimento de comunidade:

É a capacidade de identificar-se com qualquer ser vivo, de sentir compaixão e compreensão, inclusive aquelas mais contrárias a si pessoalmente. No que diz respeito às relações, as pessoas autorrealizadas concretizam uniões muito firmes. São mais de poucas, mas ótimas relações íntimas. São pessoas honestas que sabem tanto atender aos demais quanto abrir-se a ser tal como são.

  • Sentido de humor filosófico:

O humor corriqueiro frequentemente se centra em exteriorizar sentimentos desagradáveis, como a hostilidade ou a vergonha, enquanto que o humor filosófico versa sobre as peculiaridades das coisas. Uma pessoa sadia é capar de rir de si mesma, de uma atitude pretensiosa que teve, por exemplo, ao invés de projetar nos demais, rindo-se ou ironizando as coisas dos outros.

  • Caráter respeitoso:

A tolerância bem entendida permite respeitar e aprender dos demais, especialmente dos que são diferentes. Em vez de reafirmar constantemente as próprias opiniões, tentando mostrar superioridade, se valoriza os conhecimentos do demais e não compete com eles.

  • Distinção entre meios e fins:

As pessoas que conseguem maior realização costuma ser as que têm fins claros e permanentes, ainda que os meios possam ir variando em função de como se desenvolvam as situações. Não são, portanto, pessoas rígidas, mas sim que podem mover-se no ritmo dos acontecimentos.

  • Criatividade:

Refere-se mais a uma atitude de espírito inventivo e originalidade em geral, que a um talento artístico concreto. Se expressa na capacidade de mostrar-se desinibido, de gozar ou sentir plenamente.

  • Integridade:

Os diversos aspectos da personalidade estão desenvolvidos de forma integrada e harmoniosa. Isto significa que a pessoa não vive grandes oposições em seu interior. Qualidades opostas podem se integrar e se expressar sem contatemos.

DESTAQUE

“A autorrealização é a culminação de um caminho de auto conhecimento que deriva das múltiplas experiências que aporta a vida. É o nível ideal de realização que se pode alcançar.”

“A pessoa realizada se sente segura porque não quer ser outra pessoa, não busca ser diferente nem parecer-se com os outros, ainda que reconheça seus defeitos e se esforce por melhorá-los”.

“Uma pessoa madura e realizada necessita de um espaço e de tempo para si mesma, onde possa encontrar-se a sós e dialogar consigo mesma”.

“Uma pessoa sadia é capar de rir de si mesma, de uma atitude pretensiosa que teve, por exemplo, ao invés de projetar nos demais, rindo-se ou ironizando as coisas dos outros”.

“As pessoas que conseguem maior realização costuma ser as que têm fins claros e permanentes, ainda que os meios possam ir variando em função de como se desenvolvam as situações. Não são, portanto, pessoas rígidas, mas sim que podem mover-se no ritmo dos acontecimentos”.

“A tolerância permite respeitar e aprender dos demais, especialmente dos que são diferentes. Em vez de reafirmar constantemente as próprias opiniões, tentando mostrar superioridade, a pessoa humilde valoriza os conhecimentos do demais e não compete com eles”.

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