ANALGÉSICOS DOLOROSOS
Abuso de remédios contra dores pode causar cefaléia.
Quem abusa dos analgésicos para se livrar, entre outros males, da dor de cabeça, pode ver o feitiço voltar-se contra o feiticeiro. De acordo com um estudo publicado pela "Revista Clínica Espanhola", o consumo abusivo desse tipo de medicamento pode provocar cefaléia ou dor de cabeça crônica.
Foram acompanhadas 4.855 pessoas maiores de 14 anos moradoras da cidade de Santoña, na Cantabria (norte da Espanha), das quais 332 abusavam dos analgésicos - a maioria tinha consumo médio mensal de 50 comprimidos. Delas, 72 apresentaram cefaléia crônica diária.
Segundo os pesquisadores, a dor de cabeça crônica pode se converter em um problema de saúde pública, já que causa grande impacto na área do trabalho e na qualidade de vida das pessoas. Eles advertem que os analgésicos - remédios muito consumidos por serem vendidos sem receita - não estão livres de efeitos colaterais e defendem uma maior regulação da venda desses medicamentos.
HPV MASCULINO
Pesquisa encontra o vírus HPV em 50% dos homens. Eles são o vetor, mas elas têm mais doenças relacionadas.
A metade dos homens saudáveis está infectada com HPV, foi o que revelou um dos
maiores estudos já feitos sobre a incidência da doença, publicados na prestigiada revista "Lancet", de março. O HPV (papiloma vírus humano) é transmitido por relações sexuais na maioria das vezes, e pode causar lesões na pele e nas mucosas.
A pesquisa acompanhou por quatro anos 4.074 homens de 18 a 70 anos do Brasil, dos EUA e do México. Eles tiveram amostras recolhidas do pênis e do escroto submetidas a análise. Dos 50% com HPV, 30% tinham o vírus que pode levar a câncer, 38% tinham o não cancerígeno, e o restante tinha mais de um tipo de HPV. Há mais de cem tipos de HPV, mas a maioria é inofensiva e assintomática.
As altas taxas de contaminação nos homens, superiores às das mulheres, surpreenderam os cientistas. Na população feminina, mais associada ao HPV, a taxa média de contaminação é de 14%, compara a pesquisadora Luisa Villa, do Instituto Ludwig, responsável pelo estudo no Brasil. "Antes, acreditava-se que os homens tinham menos HPV, que as infecções ocorriam em menor proporção. Mas eles também têm infecções, e em taxas mais elevadas do que as mulheres."
Apenas recentemente é que começou a se estudar sobre o HPV no homem. Um dos motivos para isso é que, nas mulheres, as consequências das contaminações são mais graves, como o câncer de colo de útero, o segundo tumor mais frequente, depois do de câncer de mama.
O risco aumenta com o número elevado de parceiras e com a prática de sexo anal.
PERIGO CONSTANTE
Outro dado novo que trouxe a pesquisa é que, entre os homens, o risco de adquirir o vírus é constante, dos 18 a 70 anos. Entre as mulheres, o risco é maior até os 25 anos e tende a diminuir com o tempo. Segundo o estudo, ainda não se sabe o porquê dessa diferença, mas há hipóteses. Uma é que o número de parceiras sexuais do homem é constante por toda a vida, o que faz com que aumente sua exposição. Por outro lado, essa maior exposição poderia criar uma resposta imune que os protege de outras infecções subsequentes.
VACINA
O estudo frisa a importância da vacinação contra HPV em homens de todas as idades, como prevenção. Estudo recente publicado no "New England" e feito em mais de 18 países, incluindo o Brasil, mostrou que a vacina contra o HPV pode ser eficaz também em homens.
Mas sua aplicação em homens só foi aprovada em alguns países, como EUA, Panamá, Equador e Austrália.
O Brasil usa dois tipos de vacina contra o HPV, só em mulheres. São encontradas em clínicas particulares e indicadas a meninas e mulheres entre nove e 26 anos, mas não excluem a necessidade do Papanicolaou para prevenção do câncer.
REMÉDIO PERIGOSO
Estudo mostra que os anti-inflamatórios, os remédios mais vendidos no Brasil, podem causar lesões no intestino.
Além dos conhecidos efeitos no estômago e duodeno, os anti-inflamatórios não hormonais convencionais causam um estrago significativo no intestino, que costuma passar despercebido por médicos e pacientes.
O maior estudo controlado já realizado sobre a ação de anti-inflamatórios no aparelho digestivo traz uma avaliação sistemática dos efeitos do remédio tanto na parte alta do trato gastrointestinal quanto no intestino. O estudo, denominado Condor, envolveu cerca de 4.500 pessoas de 32 países, incluindo o Brasil. Os resultados foram publicados no conceituado periódico "The Lancet".
"Os médicos ficam mais voltados para os efeitos no estômago e no duodeno, mais sintomáticos. No intestino, as lesões podem não dar sinais, mas causar perda de sangue oculto nas fezes, o que pode levar à anemia", declarou o reumatologista Milton Helfenstein Jr, da Unifesp. Em alguns casos, o remédio pode causar dores abdominais e diarreia.
PROTEÇÕES INEFICAZES
Medidas, como tomar leite e sal de frutas concomitantes ao uso do medicamento não adiantam, de acordo com Helfenstein. "O efeito do anti-inflamatório convencional é sistêmico. Ele inibe a produção de uma substância que protege a mucosa do estômago."
Isso acontece basicamente com os anti-inflamatórios não hormonais chamados não seletivos. Eles agem bloqueando duas enzimas: a COX 2, responsável pela inflamação, e a COX 1, produzida naturalmente pelo corpo e relacionada à proteção da mucosa gastrointestinal.
Para diminuir o estrago, seu uso é associado a inibidores da secreção ácida, o que significa incluir mais um remédio, para tratar dos efeitos do primeiro. Nos anti-inflamatórios que inibem só a enzima COX 2, os efeitos gastrointestinais são bem menores, como mostrou o estudo Condor. A pesquisa foi patrocinada por uma empresa que fabrica esse tipo de anti-inflamatório.
No entanto, inibidores da COX 2 são questionados por possíveis efeitos cardiovasculares, como infarto e AVC. Outros trabalhos apontaram esse risco, mas os resultados ainda são controversos, segundo o cardiologista Antônio Carlos Chagas, da USP.
Por via das dúvidas, tome anti inflamatórios só quando extremamente necessário e não por longos períodos.
REMÉDIO PREJUDICIAL
Consumo regular de analgésicos leva a perda auditiva.
Um estudo norte-americano que acompanhou 26 mil homens por 18 anos mostrou
que o uso regular de aspirina, acetaminofen (substância ativa de analgésicos como o Tylenol) e anti-inflamatórios não esteroides (como o ibuprofeno) aumenta o risco de perda auditiva, especialmente nos homens com menos de 60 anos.
Os autores apontam que o consumo regular (duas ou mais vezes por semana) de acetaminofen (do Tylenol) aumenta em 99% o risco de deficiência auditiva em homens com menos de 50 anos e em 38% em homens entre 50 e 59! A partir dos 60 anos, o risco cai para 16%.
Entre os que usam regularmente aspirina, o risco de perda auditiva foi 33% maior para homens abaixo dos 59 anos. Não foi observado aumento de risco nos participantes com mais de 60 anos.
Quanto aos anti-inflamatórios não esteroides, o risco foi 61% maior para homens abaixo dos 50 anos, 32% maior para a faixa entre 50 e 59 anos e 16% para os com 60 anos ou mais.
O trabalho, que foi publicado na edição de março do "American Journal of Medicine", foi realizado por pesquisadores das universidades Harvard e Vanderbilt, do Brigham and Women's Hospital e da Massachusetts Eye and Ear Infirmary, em Boston.
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PRESSÃO ALTA EM CRIANÇAS
Seu filho é agitado demais ou tem insônia? Ele pode sofrer de pressão alta
Saiba como proteger seu filho deste problema, cada vez mais comum em crianças.
A hipertensão não é mais uma doença só de adultos. O problema da pressão alta vem crescendo também entre as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, cerca de 3,5 milhões de crianças e adolescentes sofrem com essa doença no país. A má alimentação e a falta de exercício físico são os principais responsáveis por esse número alarmante.
O nefrologista João Tomás de Abreu Carvalhaes, da Unifesp, em São Paulo, explica que a hipertensão é uma doença traiçoeira. "Se aparecem sintomas como dores no peito ou insônia, os pais devem ficar atentos. Medir a pressão das crianças no pediatra tem que se tornar um hábito", orienta. O exame deve ser feito a cada seis meses a partir dos 3 anos. Na primeira medição, a pressão costuma ser elevada. "O emocional conta muito. O pediatra deve esperar 20 minutos para a criança se acostumar com o aparelho e fazer nova tentativa. Essa sim, é a que vale", esclarece o médico.
Proteja seu filho da hipertensão
O que é: o aumento do nível da pressão arterial. Causas: herança genética, má alimentação, obesidade, sedentarismo e estresse. Sintomas: insônia, hiperatividade, cansaço constante, dores de cabeça e dores no peito. Diagnóstico: é feito após exame que mede a pressão. Em resultados com pressão elevada, a análise deve ser repetida de três a seis vezes, em dias alternados. Prevenção: cuide da alimentação. Um bom cardápio para crianças (e também para os adultos) tem que incluir arroz, feijão, frutas, verduras e legumes. A gordura e o sal devem ser reduzidos, bem como guloseimas, sanduíches, frituras e salgadinhos. Incentive seu filho a praticar atividades físicas com regularidade. Riscos: a pressão alta não tratada pode gerar diversas complicações ainda na infância, como o comprometimento do sistema nervoso central e insuficiência renal. Os riscos se agravam no futuro.
Você sabia que...
. Bebês que nascem com peso abaixo do normal têm mais facilidade de desenvolver a hipertensão.
. Grávidas que se alimentam mal e exageram no sal podem gerar bebês com mais facilidade de desenvolver a doença.
. Algumas pessoas têm aumento do nível da pressão arterial só quando estão no hospital. O fenômeno é chamado de "hipertensão do avental branco". A causa, emocional, está associada ao local. O ideal é medir a pressão em ambientes tranquilos e sem ansiedade.
Panela antiaderente pode
trazer danos a saúde

O polímero que não deixa os alimentos grudarem pode ser prático na cozinha, mas prejudicial à saúde.
Um trabalho de pesquisa da Agência de Proteção Ambiental norteamericana (EPA) reacendeu a discussão ao relacionar o polímero PTFE (politetrafluoretileno), responsável pela antiaderência de algumas panelas (aquelas de cor cinza-escuro), à ocorrência de câncer de fígado em animais. A informação foi relatada por Késia Diego Quintaes, autora do livro "Por Dentro das Panelas" (Editora Varela) e professora de nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
Ainda que os cientistas não estejam certos dos efeitos causados em seres humanos, não custa prevenir.
A professora explica que o PTFE é bastante resistente a agentes químicos, como os produtos de limpeza, mas pode reagir com as proteínas contidas nos alimentos e entra em processo de decomposição em temperaturas maiores do que 250º C. Dessa maneira, o uso de panelas revestidas com o material não é indicado para preparar frituras nem para assar alimentos no forno, uma vez que ambas as situações propiciam altas temperaturas.
Pelo mesmo motivo, não é aconselhável aquecer o utensílio vazio sobre a chama do fogão. Evite também cozinhar alimentos com alto teor de proteínas. "Use a panela para preparar arroz, ferver água e molhos e guardar alimentos", sugere a especialista.
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